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    Bate papo sobre inovação – com Beto Marcelino, diretor da ICities e idealizador do Smart City Expo Curitiba

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    1. Curitiba sediou entre os dias 21 e 22 de março de 2019 o evento internacional Smart City Expo Curitiba, organizado pela ICities, especialmente por você, com diversos outros parceiros.  Conte-nos um pouco sobre o processo de reunir grandes líderes num só evento com o mesmo objetivo: debater a inovação. 

    A inovação é um tema de interesse comum, desde o aplicativo novo no smartphone até o carro autônomo que já vemos rodando em alguns lugares do mundo, isso passa também pela esfera pública que precisa acompanhar a transformação urbana em consequência da qualidade de vida dos cidadãos, como segurança monitorada pala guarda, policias civil e militar, iluminação pública eficiente e inteligente até novas calçadas compartilhadas e ciclovias para patinetes e bicicletas elétricas cada vez mais presentes na rotina das grandes cidades mas que precisam estar regulamentadas, são inúmeras as possibilidades de atração de interessados para os debates, sempre de muita vanguarda e até de certa forma polêmicos nas discussões que envolvem os setores públicos e privados no Brasil.

    1. Por que e como Curitiba foi eleita para sediar o evento em sua 2ª Edição?

    O ICITIES é a única empresa no Brasil que pode escolher a cidade, como somos daqui e queremos manter o evento por muito tempo no Paraná, nada melhor que ser na nossa capital, teremos possivelmente fóruns regionais em outros estados e futuramente até em cidades aqui mesmo do estado, isso é crucial para mantermos a Fira Barcelona em nossa alçada e pelo sucesso na primeira edição com mais de 5577 inscritos que também já justificaria ser em Curitiba que é uma cidade considerada modelo de inovação desde o seu DNA.

    1. O que evoluiu ou mudou da 1ª para esta Edição?

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    O número de empresas na área de exposição aumentou cerca de 30%, as plenárias também aumentaram sua capacidade em 30% no número de congressistas.

    Tivemos test drive com 6 carros elétricos, bikes e patinetes livres para uso, e ações sociais, como arrecadação através de doação de alimentos e agasalhos, plantio de árvores como crédito de carbono gerado pelas emissões de co2 das viagens dos palestrantes para Curitiba, e uso de garrafas e copos reciclados que evitou mais de 1600 garrafas plásticas sendo dispensadas na natureza, fornecemos água de forma gratuita para aqueles que levavam seu recipiente.

    1. Quais foram os números do Smart City Curitiba 2019? 

    Visitantes – 6790

    Conferências/workshops – 25

    Expositores/ patrocinadores/apoiadores – 145

    Palestrantes – 85

    Temáticas abordadas – VIABILIZANDO TECNOLOGIAS PARA CIDADES INTELIGENTES/GOVERNANÇA EM SOCIEDADES DIGITAIS/CIDADES CRIATIVAS, SUSTENTÁVEIS E HUMANAS/

    1. Quanto tempo leva para organizar um evento de tal magnitude? 

    Terminamos no dia 01 de março de 2018 o evento passado, uma semana depois já estávamos projetando a segunda edição, trabalho ininterrupto de um ano.

    1. E, após o evento, como você avalia os resultados dele oriundos especialmente para a cidade de Curitiba e Estado do Paraná?

    De mídia espontânea já temos retorno de mais de 2,3 milhões de reais, além das frentes ligadas ao networking que acontece que acaba sendo exponencial as possibilidades de novos negócios em nossa cidade e estado do Paraná como um todo, além de incentivar a internacionalização do tema colocando o Brasil como um dos players globais de muito potencial, a avaliação na pesquisa de satisfação está nos surpreendendo positivamente.

    1. Participamos do Smart City Expo Curitiba e muito foi debatido sobre a mobilidade urbana. A desigualdade social na rede de mobilidade, a oferta de empregos concentrada mais no centro das grandes cidades com longos deslocamentos, os aumentos consecutivos de tarifas, o impacto das emissões dos gases veiculares, a insegurança dos ciclistas dentre outras problemáticas devem ser incluídas no planejamento da mobilidade, certo? Considerando tal panorama, como a inovação pode contribuir para inserir essas questões levantadas, sob a ótica do conceito de Cidade Inteligente?

    Uso de patinetes para micromobilidade é um grande exemplo, para primeira ou última milha como é chamado lá fora perfeito para eu não ter que usar o carro para pequenos deslocamentos, somado ao uso dos aplicativos de carona, a tendência é cada dia mais buscarmos alternativas ao uso do carro pelo menos nas áreas centrais, o carro ainda é extremamente necessário, se for elétrico então melhor ainda para qualidade do ar, em breve teremos isso também mais definido nas cidades, mas pela complexidade do tema, existe a necessidade de um consenso das diversas esferas municipais, estaduais e federais a favor de novas políticas públicas a favor do bem estar daquele que paga pelo transporte público nas cidades.

    1. Inovação é algo complicado? 

    Pode ser frugal…simples, mas de maneira geral, mal interpretado pode ser bem complicado sim.

    1. É apenas para empresas que tem muito dinheiro para investir?

    Nunca, começa no espírito startup e vai atingindo outros patamares, entretanto existem níveis de investimento e camadas de tecnologia que podem custar bem caro para implementação. 

    1. O que você entende por inovação e por que acredita ser importante para as empresas nos dias de hoje?

    São muitos conceitos, eu repito que é fazer melhor com menos investimento a um preço mais compatível. Ela gera eficiência onde antes era desperdício de tempo e energia.

    11 Em pleno século 21, ainda é difícil convencer empresas sobre a importância da inovação?

    Não acho, está virando um mantra, ou aprende ou está correndo sérios riscos de perder ou até sair do mercado.

    1. E o poder público, como tem tratado o tema das cidades inteligentes?

    Vem atrapalhando menos…Tentando acima de toda lentidão, letargia e a famosa burocracia se aproximar das possibilidades que são em geral apresentadas na forma de cases que exemplificam modelos de sucesso em outras cidades ao redor do mundo, isso cada dia mais está atraindo a atenção dos gestores que realmente tem competência para desempenharem os cargos que ocupam, de maneira geral os políticos estão prestando mais atenção nos temas de cidades inteligentes, ano passado na comitiva que fazemos anualmente para Barcelona para o evento mestre, www.smartcityexpo.com tivemos cerca de 40 gestores entre prefeitos e secretários dos quatro cantos do Brasil, isso mostra uma atenção para o tema de smart cities.

    1. Quais são as maiores barreiras para se inovar no Brasil?

    Ora investimentos não disponíveis, ora, a falta de bons projetos.

    1. Quais são os incentivos para se inovar no Brasil? Especificamente no Paraná?

    Temos a sede do Hub Local do programa de cidades da ONU em Curitiba como exemplo, isso nos aproxima do World Bank e BID duas instituições célebres para investimentos nesse mercado. Tanto a lei estadual quanto municipal, são recentes, a partir delas teremos mais estímulo para inovar aqui, esperamos!

    1. O Brasil é muito adepto de novas tecnologias.  Isso faz do país um bom laboratório para que a ICities desenvolva soluções?

    Com certeza, vemos os 5570 municípios como possíveis living labs para as mais variadas possibilidades de modelagem para projetos inovadores no Brasil.

    1. Fale-nos um pouco sobre o trabalho da ICities. 

    Nascemos em 2011, quando ninguém no país falava sobre esse tema, um pouco de engenharia e marketing apimentaram nossas primeiras ações como o inédito Fórum Internacional ICITIES realizado em 2012 em Curitiba, pela primeira vez tratamos de um mix de temas que ligavam a inovação às cidades, como startups, economia criativa, energia, sustentabilidade, tecnologia e comunicação, a partir desse ano, nos voltamos para viagens internacionais em especial Barcelona na Espanha, Santiago no Chile, Buenos Aires, Los Angeles, San Francisco, Porto em Portugal e Lisboa, além da Holanda, França e Itália. Isso nos impulsionou a fazer diversos novos eventos a fim de evangelizar e catequizar novos atores que pudesem vir trabalhar com o tema de cidades inteligentes no Brasil, empresários, estudantes de engenharia, arquitetura e administração, gestores públicos passaram a nos seguir nas redes sociais, ajudando assim nos tornarem uma referência na américa latina no tema de smart cities e pioneiros no Brasil.

    1. Como está estruturada a área de inovação na ICities?

    Somos também um portal de vanguarda no tema de cidades inteligentes, pois temos a chancela da Fira Barcelona, empresa pública formada pela prefeitura de Barcelona, governo da Catalunha e Câmara de comércio da Catalunha que nos atualizam diariamente com as novidades do setor, fazendo disso nosso braço de inovação permanente dentro da empresa.

    1. Há iniciativas de inovação aberta? 

    Certamente, os hackthons são prova disso, acontecendo com frequência em Curitiba além dos meetups que acontecem nos coworkings, espaços compartilhados de trabalho.

    1. Que frutos vocês já tiram ou pretendem tirar da relação com startups? 

    Empresas como UBER, Grin patinetes e bikes yellow começaram muito pequenas, hoje são líderes e faturam milhões, são exemplos para outras tantas que devem surgir nos próximos anos, o robô ADAM que previne doenças na visão, nasceu dentro de um coworking público em Curitiba, o worktiba, estava na primeira edição do SCECWB, eles revelam que o evento os impulsionou para o mercado, outras startups nasceram assim.

    1. Como a ICities estrutura projetos/soluções para cidades inteligentes?

    Temos engenheiros e arquitetos trabalhando juntos, modelando possibilidades na criação de novos serviços e produtos para cidades inteligentes, além da parceria com grande empresas das áreas de energia e mobilidade inteligente.

    1. Aliás, para você o que é uma cidade inteligente?

    Aquela que emprega tecnologia como ferramenta para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, dessa forma atrai, retém e desenvolve novos talentos em prol do crescimento econômico, social e sustentável da região.

    1. E qual é a sua análise do ecossistema de inovação do Brasil hoje? 

    Tomando forma e amadurecendo muito rápido, um trem bala vem por aí, exemplos de sucesso aqui de Curitiba, EBANX, CONTABILIZEI, PIPEFY, BEENOCULUS serão os próximas *unicórnios do Brasil.(empresas que atingem valor de mercado acima de 1bi de dólares) 

    1. Por fim, quais as dicas para empreendedores que querem inovar, mas não sabem como começar?

    Assistir palestras, buscar pessoas ligadas a temas de interesse, investigue a internet a fim de achar o que realmente considera uma causa para defender nessa breve passagem terrestre, se torne apaixonado pelo que considera um trabalho a ser feito!

    Alguns links recentes;

    https://www.gazetadopovo.com.br/automoveis/renault-zoe-eletrico-esgota-lote-e-muda-rotina-de-casal/#cxrecs_s

    http://goinggreen.com.br/2019/03/26/smart-city-expo-curitiba-2019-apresentou-solucoes-tecnologicas-e-criativas/

    https://brasilpaisdigital.com.br/lancado-1o-relatorio-brasileiro-das-melhores-praticas-legislativas-em-cidades-inteligentes/

    Obrigado

    Att,

    Beto

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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