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    O preparo antecede o aprendizado

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    “Muitos professores entram na sala de aula parcialmente preparado ou completamente despreparado.  Esses são como mensageiros sem uma mensagem. Lhes falta o poder e o entusiasmo necessário para produzir os frutos que esperamos de todos os seus esforços.” – John MIlton Gregory (1886)

    Todos têm um desejo por aprender, conhecer e crescer. Somos curiosos, queremos novas experiências e sensações. Então, por que é tão trabalhoso engajar os alunos no processo de ensino-aprendizado? Por que estamos sempre buscando estratégias para a sala de aula, e como pais tantas vezes parece que levar os filhos para a escola é tão penoso?

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    Se aprender e ter uma mente que cria e raciocina aliados a uma capacidade comunicativa são características do ser humano, então precisamos rever as nossas estratégias de educação para que toda essa capacidade seja aproveitada em sala de aula, em casa e na sociedade.  Acredito na parceria da escola e da família, sei que nenhum de nós fará o trabalho de educar uma geração sozinhos. Há muita interferência nesse processo que afeta diretamente as habilidades de aprendizado das nossas crianças e jovens. Todos nós estamos expostos a estímulos da mídia, quantidades absurdas de informação (muitas das quais sequer são verdadeiras), temos menos tempo e esperamos respostas imediatas aos nossos problemas e questionamentos.  Digo, nós, porque estamos todos passando por essas sensações, se temos uma dificuldade com aluno ou com um filho, achamos que uma atividade, uma conversa bem feita trará os resultados esperados. Calma! Apesar de termos acesso a tudo praticamente instantaneamente, na palma da mão, aprender, educar, formar hábitos saudáveis leva tempo, trabalho e dedicação.

    Preparar-se para aprender é um dos passos mais importantes no aprendizado, no entanto é um dos elementos que muitos dão pouco valor.  Tanto o professor quanto o aluno precisam estar prontos e preparados para aprender. Isso pressupõe planejamento, estratégias e execução coerentes.  É fácil apontarmos o dedo para o professor e culpá-lo de não dar aulas que o ‘meu filho’ goste ou não, sem perceber que muitas vezes na minha fala sobre a escola ou atividades propostas pelos professores causam com que a criança ou adolescente crie aversão ou preconceito contra o professor.  Quando reclamamos do professor, da atividade, da escola ou dos colegas estamos incutindo no nosso filho uma mentalidade que o fechará para as atividades e ensinos importantes que deverá adquirir lá. Muitas vezes fazemos isso sem a intenção de desautorizar o professor, tão pouco queremos que o nosso filho veja negativamente a escola, no entanto, é preciso muito cuidado para que as suas atitudes e palavras sejam positivas e construtivas sobre a escola, professores e atividades, dessa forma você está dizendo ao seu filho que ir para aquele lugar, com aquelas pessoas é valioso e importante. Prepará-lo para o aprendizado faz parte de uma educação eficaz.

    Os educadores devem, por sua vez, respeitar esse encargo especial de trazer a luz aquilo que outrora era desconhecido, devem responsabilizar-se por inspirar e ensinar, empregando estratégias diversas para engajar os alunos e a família no processo acadêmico.  Isso será possível somente com muito preparo e intencionalidade nas atividades desenvolvidas na sala de aula. Temos que ter o equilíbrio entre a rotina (previsibilidade) e a criatividade (impacto). Parte do seu plano de aula deve conter o que costumo chamar de ‘inspiração’, é aquilo que antecede a aula em si, que envolve e prepara o aluno para aquilo que será ensinado naquela aula.

    O livro “ Ensinando para Transformar Vidas” (Hendricks, 1987) traz algumas dicas para preparar um ambiente de aprendizado, seja na sua sala de aula ou nas lições de vida, podemos aplicar esse conhecimento.  As lições que damos devem iniciar antes da aula, pensando em tarefas, perguntas e atividades que levem o aprendiz a engajar-se no assunto de forma natural, curiosa e envolvente. Quando o professor prepara a lição que dará em sala, ele deve antecipar sua aplicação para que os alunos cheguem alertas ao tema, curiosos ou com dúvidas sobre o conteúdo que você explicará na aula.  Ao pensar sobre lição de casa o professor deve ter alguns objetivos. O primeiro passo é aquecer a mente. Depois o professor deve colocar o alicerce, o pano de fundo de como essa questão se aplica a vida, gerando maior curiosidade. Por fim, um dos objetivos mais nobres da lição é ensinar o aluno a estudar com independência, isso é uma ferramenta útil para toda sua vida.

    Uma boa lição de casa deve ser: Criativa e ter propósito; Gerar a reflexão; Acessível (todos devem conseguir fazê-la).  Aproveite as experiências e questionamentos dos alunos.

    Ao entrar em sala de aula o aluno que realizou a lição, já trará consigo algumas dúvidas, terá informações que poderá compartilhar com os colegas e estará mais inteirado no assunto para participar efetivamente da aula.  Contudo, o professor deve preparar-se para dar a aula respeitando esse preparo do aluno, lembrando o que disse anteriormente: previsibilidade e impacto, esses são fundamentais para uma boa aula. O aluno sabe o que será exigido dele (fazer a lição, responder as perguntas, envolver-se na aula), mas ele precisa ser surpreendido com a forma com que isso acontecerá em sala.  A novidade gera curiosidade, o domínio do professor sobre o assunto gerará respeito e interesse por parte dos alunos. Celebre as perguntas e engajamento dos alunos, ajude-os a encontrarem estratégias para estudar e manterem-se envolvidos com o aprendizado.

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    Preparar-se é a chave para a docência eficaz, também é a chave para o aprendizado significativo.  Como pais podemos encorajar os nossos filhos sabendo sobre os temas que estão estudando na escola, ajudando-os a encontrar isso no dia-a-dia, estudando e despertando mais curiosidade sobre o assunto.  Também podemos demonstrar real interesse nas perguntas que eles nos fazem e sempre devemos valorizar o seu envolvimento com a escola e os assuntos apresentados. Aos educadores a dica é: Prepare-se, planeje de tal forma que os alunos cheguem na sua aula curiosos por aquilo que está por vir, desejosos de saber mais e aplicar o conhecimento adquirido.

    Aprender leva tempo, envolvimento e muito otimismo!  Ao buscarmos estratégias de preparo e antecipação de assuntos, engajamento das crianças estaremos ajudando-os a manter o foco, disciplina e interesse no desenvolvimento necessário para uma vida feliz. Não sejamos imediatistas, temos que investir o tempo necessário para perceber os efeitos de uma educação eficaz no que se refere ao caráter, hábitos, conteúdos e conhecimento de si e do mundo.

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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