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    Homenagem póstuma: conheça a história de Durval Weber

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    Para relembrar os 22 anos da morte de Durval Weber, sua família busca homenageá-lo, divulgando alguns dados da sua biografia, que tanto enriqueceu a história de Campo Largo.

    Durval nasceu em Campo Largo – PR em 01º de abril de 1914. Filho de Bonifácio Weber e de Arlinda Gorski Weber. Neto do imigrante alemão Carlos Eduardo Weber e da imigrante polonesa Catarina Maria Weber. Tinha um irmão mais novo chamado Floriano Weber.

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    Chegou a frequentar o seminário diocesano em Curitiba no primário, quando interrompeu os estudos, passando a trabalhar com seu pai no ramo de panificação. Profissão a que se dedicou de corpo e alma por toda sua vida.

    De seu pai herdou um senso empresarial dedicado à modernização e melhorias constantes do processo de fabricação e vendas. Montou a primeira frota de veículos motorizados (DKW/Vemaguet), para entrega de pães, acabando com a tradicional carrocinha puxada a cavalo. Foi o primeiro a fazer isto na região de Campo Largo/Curitiba.

    Foi casado com Rosa Agge Weber, descendente de pai libanês e mãe polonesa. Tiveram 7 filhos: Carlos Eduardo, Marcos Francisco (faleceu com 2 meses em 03/12/1944), Antonio Carlos (faleceu com 72 anos em 03/05/2018), José Augusto, Maria da Graça, João Alberto e Roberto (natimorto em 22/01/1955). Com tantos filhos, Rosa ainda reservava dedicação para auxiliar o marido nas exaustivas tarefas da padaria.

    Com a morte de Bonifácio, em 1958, Durval e o irmão Floriano herdaram a panificadora da família e, a ela se dedicaram até aproximadamente 1980. A empresa passou após essa data para os filhos Carlos Eduardo e Antonio Carlos.

    Durante a administração de Durval a panificadora auferiu enorme crescimento, com gestão moderna; tanto em tecnologia quanto em administração. Sendo um autodidata, ele aprendeu contabilidade, novas técnicas de panificação e, ainda teve tempo de se dedicar à importação de máquinas modernas da Alemanha para automatizar processos. Fez intensa propaganda junto a seus pares de panificadoras consagradas em Curitiba e outras regiões, fazendo com que seus próprios concorrentes também aderissem à mesma tecnologia alemã; trazendo enormes benefícios na fabricação do famoso pão d’água, que dominava o mercado principalmente no Paraná, onde a colonização alemã era mais predominante.

    Demonstrando com isso um espírito altruísta, mesmo nos negócios. Em sua jornada de empresário, Durval ainda teve experiências nas áreas de cerâmica e bebidas. Também auxiliou sobremaneira na abertura da agência do Banco Mercantil e Industrial do Paraná, posteriormente Bamerindus, em Campo Largo. Sua amizade com o fundador do banco, Avelino Vieira, se estendeu por toda a vida; inclusive tornaram-se compadres, selando uma duradoura amizade. Seu entusiasmo em alavancar o desenvolvimento de um banco genuinamente paranaense foi tão intenso que um dos seus netos, recém-nascido, foi homenageado na revista do banco como o acionista mais novo da instituição. Dois de seus filhos tiveram a oportunidade de prestar inestimáveis serviços como funcionários do banco; o mais velho, Carlos Eduardo, chegou a gerente de agência e o mais novo, João Alberto, fez carreira e chegou à diretoria do Banco, já na época do HSBC que adquiriu o Bamerindus.

    O primeiro edifício do Clube Macedo Soares, atual Clube União Campolarguense, foi erguido na cidade durante a gestão do Durval como Diretor de Obras. Ele batalhou perante toda a sociedade para angariar fundos, nas famosas campanhas da madeira, do ferro, do tijolo, do cimento e de outros materiais. Seu objetivo era manter a obra sem interrupções, no qual teve total sucesso.

    Na área esportiva Durval ainda se dedicou como diretor do glorioso Fanático Futebol Clube, arquirrival do também famoso Internacional Esporte Clube. Os dois clubes detêm, para a cidade, o maior número de troféus da Taça Paraná, o mais importante torneio de futebol amador do país.

    Na área da filantropia, tinha um sonho: erguer em Campo Largo uma casa nos moldes do Lar dos Velhinhos de Piracicaba. Toda vez que ia visitar seu filho José Augusto que lá morava, ia dialogar com o Dr. Jairo Ribeiro de Mattos, o qual lhe explicava como sustentava aquela imensa e famosa obra.

    Para tal, Durval criou a Fundação Santo Antônio, para onde carreava recursos que sustentavam suas obras filantrópicas, principalmente para os mais carentes.

    Fruto dessa atividade filantrópica é o atual Centro de Convivência do Idoso Durval Weber, inaugurado pela Prefeitura de Campo Largo em novembro/2001, que acolhe idosos para a prática de atividades terapêuticas e comunitárias. Esta homenagem foi prestada pelo Prefeito da época, Dr. Affonso Portugal Guimarães, que conhecia e admirava as obras do Durval em prol da comunidade mais necessitada.

    Entre 1970, ano em que descobriu que tinha câncer e, 30/09/1997 quando faleceu, Durval se dedicou ao seu maior legado para a história de Campo Largo. Ele escreveu as famosas Histórias de Antigamente, ao longo de quase 30 anos. Estima-se que tenha deixado para a história da cidade mais de 300 artigos. Eles contam o que acontecia na cidade, desde relatos de personagens populares bem como os de pessoas ilustres, passando pela construção da igreja Matriz da Piedade, história dos tropeiros, dos imigrantes da Polônia, da Itália e da Alemanha; de políticos, empresários dos ramos da cerâmica, da erva-mate e muitos outros. Esses artigos abrangem política, educação, segurança, economia, agronegócio, sociologia, religião, arquitetura, tecnologia, meio ambiente e eram veiculados nos jornais da cidade, como o Diário Metropolitano.

    Sua capacidade empresarial era motivada por uma enorme tenacidade de enfrentar qualquer desafio. Testemunho dessa resiliência pode ser demonstrada num episódio de sobrevivência, imediatamente após a cirurgia que o curou do câncer no rosto. Ainda no leito hospitalar, ele teve uma hemorragia violenta no local do procedimento. Como os atendentes, na hora do acidente, não sabiam o que fazer; Durval simplesmente estancou a hemorragia com os dedos, até o médico responsável chegar.

    Sobreviveu mais 27 anos. Período mais fértil em que trabalhou nas centenas de Histórias de Antigamente, o maior legado da sua vida para a cidade natal.

    Somente em uma exposição na Casa da Cultura, Durval reuniu cerca de 120 artigos dessas Histórias de Antigamente. Sua formação era Autodidata, e, com esta sabedoria milenar escrevia com maestria sobre qualquer assunto que achava ser importante para manter a história viva. Seu estilo era um tanto novelesco, mas nunca deixava qualquer assunto ou pormenor relevante sem uma letra esclarecedora.

    Dentre esses artigos destacamos alguns, por referência de publicação nos jornais:

    – 01/1984 – Prof. João B. Valões, soneto de Virgílio Moreira.

    – 12/1984 – Heráclito Küster – o pioneiro em eletricidade – montou a 1ª.

    usina elétrica em nossa cidade.

    – 01/1985 – Fundadores da 1ª. fábrica de louça em Campo Largo.

    – 08/1985 – Foto da ata do 1º. fabricante de louça no Paraná.

    – 03/1986 – Primeiro clube de futebol de Campo Largo.

    – 07/1986 – Primeiro cinema de Campo Largo, Benedito Brantes.

    – 10/1986 – Fotos da praça central de Campo Largo: 1924, 1932 e 1986.

    – 104+108/1987 – Construção do Clube Macedo Soares.

    – 133/1988 – História da Maria Vital (Mariazinha Preta)

    – 143+145/1988 – Igreja Matriz, construção.

    – 147+148/1988 – Ônibus antigos.

    – 149/1988 – Banda de Música.

    – 155/1989 – Congada, festa de 1926.

    – 160/1989 – Odila Portugal, professora de muitas décadas.

    – 166/1989 – Vovô e Vovó, patriarcas da família Weber.

    – 171/1989 – Salvador Kellner, Luiz Puppi Sobrinho e outros ilustres.

    – 172/1989 – Capela centenária do Tamanduá.

    – 175/1989 – Jazz Band de Campo Largo

    – 68/1990 – Chafariz antigo – Praça A. Costa, inaugurado por D. Pedro II.

    – 70/1990 – Ponte dos Papagaios, inaugurada por D. Pedro II.

    – 183/1990 – Alberto Augusto, pioneiro em olarias na cidade.

    – 178/1990 – Hotel do Titio, primeiro hotel de Campo Largo.

    – 100/1991 – Tiro de Guerra, formatura na Praça da Matriz.

    – 127/1991 – Primeiro posto de gasolina.

    – 152/1992 – Lavadeiras de roupa da cidade.

    – 156/1992 -Construção do Cine D. Pedro II.

    – 173/1992 – Rua Centenário no tempo das carrocinhas.

    – 177/1992 – Incêndio da Cerâmica Iracema.

    – 306/1995 – História dos dentistas de Campo Largo.

    – 311/1995 – Padre Ladislau Kuka, festa do Centenário em 1926.

    – 330/1995 – Roda d’água, São Caetano e Casarão de Lucas Soviersoski.

    A abrangência de assuntos nos relatos de Durval Weber cobre uma ampla e dedicada história da cidade. Sem dúvida, podemos afirmar que foi o historiador mais importante de Campo Largo. Desta exposição, ocorrida na Casa da Cultura em agosto de 1996, pudemos reunir 45 documentos. Além de mais 120 outros, que provavelmente fizeram parte desta mesma exposição. Baseado nas referências numéricas dos artigos, ao longo de sua vida, Durval deve ter relatado mais de 300 histórias sobre a cidade. Uma busca cuidadosa nos arquivos desses jornais teria valor inestimável para a preservação cultural da história de Campo Largo, pois certamente resgataria valorosos relatos sobre nossa terra. A família está empenhada em revelar o conteúdo dessas histórias para a cidade, num único volume.

    Parece que a providência divina tem uma sabedoria peculiar. O filho de Durval, José Augusto Weber, trabalhou como engenheiro no setor açucareiro em Piracicaba, de 1972 a 1985, quando retornou a Campo Largo.

    Foi durante este período que Durval, em visita a seu filho “caipiracicabano”, conheceu e admirou a obra gerida pelo Dr. Jairo Ribeiro de Mattos no Lar dos Velhinhos de Piracicaba. Hoje, estamos aqui tentando passar a limpo a história, para transmiti-la com fidelidade e riqueza às novas gerações. Que DEUS nos dê a graça de o fazermos com imparcialidade e dignidade, honrando aqueles que nos precederam.

    Campo Largo, 30 de Setembro de 2019

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