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Capítulo IV.

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– Os pedidos de posse das “Sesmarias”. O que eram elas e quem poderia ocupá-las? O primeiro proprietário das terras aonde se encontrava “O Campo Largo”.

O que era uma “Sesmaria”?

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Sesmaria era uma área de posse recebida a pedido de alguma pessoa que tivesse condições de se estabelecer nelas, criar, plantar ou utilizar a terra de forma produtiva de que pudesse ser transformada em dividendos para “El Rei”.

As mais antigas na região dos Campos de Curitiba foram concedidas em nome de “El Rei” de Espanha e Portugal, Dom Pedro II, mais tarde por Dom João V, outras foram cedidas por Capitães-Mores, por governos de Capitanias ou administradores das Capitanias do Sul.

O que se chama “Sesmaria”, tinha como desígnio de quem a possuía a alcunha “sesmeiro”. Após o dia 27 de dezembro de 1695, com o inicio da cobrança de impostos pelas áreas ocupadas, a sesmaria passou a ser chamada “Foro”, e seu requerente legal ou proprietário chamado de “foreiro”. Este último termo era apenas usado para terminologia jurídica. Muitas sesmarias foram requeridas em Santos e em São Vicente. As primeiras concedidas antes de 1700, foram expedidas no Rio de Janeiro, juntamente com as concedidas para o Nordeste da Terra de Santa Cruz (Brasil).

Uma sesmaria poderia variar de tamanho ou proporções, já que normalmente eram estabelecidas com fronteiras geográficas (rios, montanhas, campos, falésias, córregos ou banhados). Variavam de 600 braças (3,5km) de largura por uma légua (6km) até aproximadamente o triplo deste tamanho.

Uma das maneiras mais simples de pedido de concessão de posse de sesmarias, era o “Pedido de dote para casamento”. Naturalmente porque, se seria um dote para casamento, certamente a terra seria povoada. Famílias abastadas dificilmente deixavam seus filhos e filhas se casar com outros que não fossem de suas classes sociais ou que não possuíssem posses. Como raramente casamentos aconteciam por amor, e muitas vezes os casais se conheciam momentos antes dos casamentos, a união de posses ou propriedades eram muito comuns, como se fosse uma obrigação natural.

As mulheres eram educadas para serem boas esposas, submissas, prendadas do lar e excelentes mães. Poucas pensavam de forma diferente, ainda mais, porque não podiam estudar em escolas, apenas ter aulas com “mestres particulares”. Conjuntamente a estes casamentos a necessidade de “Dote” era muito habitual, principalmente para as primeiras núpcias. De forma natural as sesmarias eram requeridas aos Capitães-mores e estes aos governadores, que faziam as petições e davam as concessões em nome de “El Rei”, ou dos Reis de Portugal (época da União Ibérica). Ao contrário das posses de propriedades dentro das “áreas urbanas” das capitanias, cujos registros eram feitos na Igreja (Paróquia) ou freguesia mais próxima. Estas “petições de sesmarias” eram elaboradas e aguardavam a “carta de concessão de posse”. As petições eram baseadas em dados que eram relevantes para a época. Na maioria dos casos eram relatados os anos em que o requerente dizia ter participado de guerras e lutas contra estrangeiros ou índios dentro das capitanias, ou por ter sido atingido, ou possuir invalidez por luta, destacando a seguir a área ou porção de terra que gostaria de possuir. Mas o fato mais relevante e importante nas petições, era do requerente possuir filhas, e que estas necessitariam da posse de dote imóvel para poder contrair núpcias com “cavalheiro de estirpe” ou proprietário de alguma outra posse.

A região dos “Campos Geraes” rapidamente começou a ser subdividida. Começava um novo ciclo econômico e o contato com a “Península do Sacramento” (Hoje Uruguai), aonde já estava repleto de franceses que vinham negociar “muares” e gado vacum (vacas), levando para a Europa toneladas de couros e sebos. Quando menos se esperou e quando os moradores da Capitania de Paranaguá se deram conta, os Capitães-Mores de Santos e de São Vicente já estavam dividindo a área para pedidos de posses. O Caminho que viria de São Paulo de Piratininga, dos Campos de Sorocaba era o melhor trajeto para se chegar ao Rio Grande de São Pedro do Sul no local além da Lagoa dos Patos aonde era atravessado o Guaíba. O local se chamava Viamão.

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Na foto: “Muares (mulas) carregadas de produtos e mantimentos. Herança dos primeiros tropeiros que habitaram a região dos Campos Gerais no início do século XVII”.

Continuação: João Rodrigues França proprietário das Minas do Itambé do Assungui, fez pedido de três concessões de sesmaria para dote de casamento de três filhas. Dona Joanna Rodrigues França, para casamento com o Ten-Gal Manoel Gonçalves da Cruz, para Dona Anna Rodrigues França, para casamento com Antonio Luiz Lamin “O Tigre” e Dona Paula Rodrigues França para casamento com Manoel Gonçalves de Siqueira.

Mas o que nos interessa agora são as terras aonde se encontrava “O Campo Largo”.

A Sesmaria aonde estava o Campo Largo se chamou “Sesmaria da Ilha”, nome dado pelos primeiros que passaram por aqui, na Bandeira de Dom Rodrigo Castell Blanco. Tinha 1 (uma) légua (6km) de testada por 3 (três) léguas (18km) de comprimento. Estava compreendida entre dois rios. O Rio Verde, a Leste e o Rio Itaqui a Oeste, onde já havia a posse da Sesmaria do Itaqui, pertencente ao Gal. Manoel Picam de Carvalho. A carta de posse foi expedida por Dom Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, no Rio de Janeiro. Dom Fernando esteve junto na Bandeira de Dom Rodrigo, quando da visita às minhas velhas do Itambé e do Assungui (Açungui).

Então, hoje você, leitor, aprendeu algo de que nunca ouviu falar: João Rodrigues França foi o primeiro proprietário da Sesmaria da Ilha, e por conseguinte, o primeiro proprietário das terras aonde se encontrava “O Campo Largo”.

 

Não perca, na próxima edição:

CapítuloV: Os proprietários das Terras em toda a região do Campo Largo. Como o Ciclo do Tropeirismo trouxe tanta gente para toda a região. E o primeiro mapa que mostra as terras, desde O Rio Verde até o Cambiju (Vila Velha).

 

*Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

 

 

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