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CapítuloVI

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Vamos agora, com calma, observar o Mapa:

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Então, um mapa antigo desenhado em uma época que as medidas eram estabelecidas de “forma visual”, e que raramente se utilizava uma bússola, o sol e as estrelas, além das viagens sempre diurnas, fazia com que os currais de engorda e os entrepostos comerciais ficassem a no máximo 5 léguas uma da outra, o que significava normalmente um dia de viagem. Claro que as comitivas e muitos conjuntos de tropeiros viajavam com todo o tipo de assistência, iam à frente os cozinheiros e se estabeleciam a uma distância para aguardar a tropa, e outra ia mais adiante para aguardar e preparar “o pernoite”. Para os que não sabem, antes da revolução industrial na Inglaterra, os horários de refeições eram totalmente diferentes dos que são utilizados comercialmente hoje. “Um dia” = Sol à Sol. Iniciava-se antes do raiar da Aurora, e o gado começava a se movimentar aos primeiros momentos do dia. Uma manhã deveria ser muito bem aproveitada para poder preservar a saúde do gado, seja ele vacum (vacas) ou muar (mulas). Raros eram os que possuíam relógios, mas o cozinheiro possuía. Por volta das 9 da manhã era o almoço, o que significava estar entre 4 a 5 horas de caminhada, dependendo do terreno. Isto significava que a tropa se deslocava a aproximadamente ½ Légua por hora (3km/h). A parada sempre acontecia em uma aguada (rio ou lagoa) e local aonde o gado pudesse pastar. O mesmo tempo demorado até o almoço era demorado como descanso, quando a equipe já partiu para preparar o pernoite, aproximadamente mais 4 ou 5 horas adiante. Eram percorridas aproximadamente umas 5 léguas (30km) em um dia completo, que só se finalizaria com o pôr-do-Sol, com o gado alimentado e verificado, com os seguranças e sentinelas à postos, com os tropeiros alimentados e prontos para dormir logo ao escurecer. Já se preparava a equipe de alimentação para preparar a alimentação da manhã que seria por volta das 4 e meia. Então, se um dia quiser verificar as distâncias, apanhe o mapa e se baseie nos locais de 2019 que eu postei nos campos gerais já passou por eles.

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Vamos voltar a falar do Mapa: Todas as Terras compreendidas entre o Rio Verde, até o Cambiju, incluindo “O Portão”, assim era chamado o local no Caiacanga, aonde hoje é Porto Amazonas, pertenciam direta ou indiretamente aos “Rodrigues França”. As lavras do Açungui e da Santa Cruz eram administradas pelo “Padre Doutor” José Rodrigues França, assim como todas as terras pertencentes aos Carmelitas de Santos, o que incluía (Hoje) São Luiz do Purunã. O Tamanduá pertencia a Antonio Luiz Lamin “O Tigre”, assim como a Sesmaria do Javacaén (Bateias), por conta do dote de Dona Anna Rodrigues França, o mesmo acontecia com a Campina do Rio Verde. Já Dona Joanna se Casou 3 vezes e dos três maridos todas as Terras desde o Rio dos Papagaios até o Cambiju (Vila Velha), até “hoje” Porto Amazonas, incluindo Palmeira, e a Sesmaria do Itaqui, que pertenceu a Manuel Picam de Carvalho, comprada pelo terceiro marido, Ouvidor Antonio dos Santos Soares. A fazenda dos Carlos também era administrada pelo Padre Doutor, por conta de pertencer à família de sua mãe, da família Pinheiro, de Santos. Claro que à medida que os proprietários foram falecendo, seus testamenteiros tomaram posses, doaram ou venderam para outros interessados. Muitos funcionários ou afilhados tomaram posse de áreas nessas Sesmarias, caso dos “Tigrinhos” em Bateias e região, e dos “Luiz Tigre” em Campo Magro, afilhados por conta da cunhada Dona Paula Rodrigues França.

Tá! E o Campo Largo? Como o falecimento do Ouvidor Antonio dos Santos Soares e Dona Joanna Rodrigues França, todas as terras pertencentes os três maridos, mais os bem moveis e imóveis em Paranaguá e na Villa de Nossa Senhora da Luz passaram a pertencer a apenas uma pessoa, por herança. “Dona Antonia da Cruz França”, de quem falaremos mais tarde. Então, Dona Antonia se casou com Manoel dos Santos Lobato, que faleceu pouco tempo depois, mas só herdou algumas propriedades em Paranaguá. Dona Antonia era herdeira única de seus pais, mãe e padrastos. Contraiu segundas núpcias em idade avançada para a época, com o Sargento-Mor Francisco José Monteiro de Castro, que administrou seus bens, o que nunca fizeram em momento algum, não teve nenhum filho e nenhuma descendência.

Tá! E o Campo Largo? O Campo Largo fazia parte da Sesmaria da Ilha, ou “Campo da Ilha”, após o termo sesmaria deixar de ser usado. Na região já havia alguns posseiros, mas “Antonio Luiz Lamin, O Tigre”, requereu a posse das áreas devolutas da Sesmaria da Ilha em 1728. Em 1729 o pedido de posse foi negado, constatado que na região havia mais de “50 fogos de almas” (Famílias), e que as terras haviam sido recebidas como dote de casamento por Dona Joanna Gonçalves de Siqueira com o Tenente Domingos Lopes Cascaes, os quais já estariam estabelecidos com um local chamado “Paragem do Campo Largo”. Um entreposto comercial. Ah! Quer saber aonde era? Era aonde ficava em 2018 a sorveteria do Chemin, só que, claro, com as devidas proporções a arquitetura da época. Não confundam a cronologia.

Ah! Tenho cópia do documento em que Antonio Luiz Lamim “O Tigre” fez o pedido de posse das Terras Devolutas do Campo Largo, mas estão em um arquivo em minha casa, eu estou em viagem e só retorno dia 18 de dezembro. Então, compreendam a história por tradição e a verdadeira história “ANTONIO LUIZ LAMIN ‘O TIGRE’, NUNCA FOI PROPRIETÁRIO DAS TERRAS DO CAMPO LARGO”

 

*Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

 

 

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