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    Responsabilidade ou culpa?

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    Não me segura que tem uma responsabilidade ali que eu tenho que assumir!!

    É minha e só minha, não bota a mão nela.

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    É preciso ser responsável, não é mesmo?

    Começar a trabalhar cedo, procurar uma emancipação financeira. Assumir todo e qualquer erro, fui eu sim!!

    Desde muito cedo os adultos ensinam que toda vez que cometemos algo considerado errado devemos nos sentir envergonhados com nosso ato e consequentemente culpados. Ai é onde se inicia a trilha que vai levar à confusão entre culpa e responsabilidade.

    Na tentativa de ser amado a pessoa assume total responsabilidade diante de tudo.

    –  Começou de forma leve, eu estava na escola e tinham aprontado algo e o professor queria saber quem tinha sido. Aí eu levantei a mão e assumi a responsabilidade. A turma ficou tão feliz comigo, virei super popular e me deu uma alegria enorme. Tinha sido vista pela primeira vez. Eu não era mais invisível. Tudo bem que fiquei de castigo e tive que limpar a sala sozinha. Mas os olhares, os olhares dos meus colegas, o olhar de admiração… Ah!!! Foi ímpar. O prazer é viciante, e quanto mais se tem mais se quer. Assumia tudo, cada vez mais. Em casa, no colégio, na organização das brincadeiras e em qualquer arte. Aí resolvi  trabalhar, fui emancipada, e para meu deleite eu podia assumir mais e mais responsabilidade, contas, boletos, nome no SPC. Resolvi me casar, engravidar, cuidar dos filhos, construir casa, ser empreendedora, cuidar da família, do trabalho, responder por tudo e por todos. Na escola dos meus filhos também dava pitacos, se íam mal nas provas a responsabilidade era minha, se o casamento não estava bem, a responsabilidade era minha, se a empresa estava mal das pernas… minha responsabilidade. Brigas em família… pra mim, pra mim, pra mim a responsabilidade. Algo deu errado? Caramba! Vou trabalhar mais, preciso melhorar, insônia, irritabilidade, cansaço, tensão, choro intenso, desespero, depressão, angústia, tristeza, melancolia, solidão… Por que sou tão sozinha? Por que ninguém me ajuda? Eu faço de tudo e nada adianta. Nada dá certo em minha vida. Eu não aguento mais fazer tudo sozinha! Que vontade de sumir… Opa!!!

    Não me segura que tem uma responsabilidade ali e eu tenho que assumir!!

    Eu sei que em alguns momentos não dá pra pensar muito, o negócio é assumir a responsa e tocar o barco pra frente. A gente arregaça as mangas e só dá conta do recado. Alguém tem que assumir o controle da situação e a única criatura disponível é você. Ok, eu entendo, mas quando seu corpo começa manifestar sintomas, você precisa parar, pensar e entender.

    Responsabilidade ou culpa?

    Comecemos pela infância. E por que isso? Porque julgamos que frente ao erro cometido, se nos penitenciarmos bastante estaremos, assim, assumindo responsabilidade. Engana-se, contudo, quem assim pensa, pois o caminho se faz inversamente: é justamente o sentimento de culpa que pode levar alguém a se desresponsabilizar por seus enganos. A culpa pode ter a função de um analgésico que vai permitir que a pessoa conviva com os fracassos. Aí é quando as falhas, os erros, os enganos e os tropeços passam a ser internalizados como parte da própria pessoa em forma de culpa e sofrimento. Ora, se a dor é internalizada, se é incorporada, se faz parte do sujeito, não restaria nada a fazer com ela.

    Sendo assim, pode-se dizer que a culpa imobiliza, impede a tomada de decisões, estanca os passos. A culpa, por ser paralisante impede o “culpado” de agir. Aquele que sente culpa fala assim: “errei”, “eu fracassei”, “eu cometi essa falha imperdoável”.  A culpa faz com que nos desiludamos conosco e não aponta saídas. Deixa-nos sofrendo e remoendo pelo erro cometido, nos paralisando, embaçando o olhar e não vislumbrando perspectivas. Há tentativas e quase que nunca soluções. O culpado fica estagnado no erro a remoê-lo, a martirizar-se, sem conseguir livrar-se dessa espécie de areia movediça.

    A responsabilidade, ao contrário, nos impulsiona a fazer diferente e nos põe em movimento.. Aquele que se responsabiliza, por sua vez, olha de frente para suas falhas, para aquilo que considera um erro, e percebe que se um dia foi responsável por esse ato indesejável, também pode ser responsável pela reparação e pela mudança. A responsabilidade exige limites de nós. Só assumimos se nos sentimos confortáveis e ao menor sinal de desconforto apita um alarme. Pare! Respira fundo e diga não.

    A responsabilidade não é assumida para agradar os outros nem muito menos para se tornar visível e muitas e muitas vezes não espera reconhecimento. Ela aceita que não há reciprocidade na intenção de um só e não se torna dependente disso.

    Se você sente que o que carrega é culpa, que suas tentativas de assumir tudo é pra agradar os outros e tentar se sentir amada fazendo e assumindo tudo.

    Chega o momento em que você vai precisar assumir a responsabilidade pela sua vida, sua saúde, sua felicidade. Vai precisar cuidar de você!

    Ouça-se, sinta-se e respeite-se.

    E pra finalizar, quero dizer que adoraria ter uma solução mágica pra ajudar as pessoas a se sentirem melhores, mas não existe. Então, te recomendo a coisa que hoje eu sei que funciona: falar!

    Procure alguém que te ouça. Te acolha. Te ajude a encontrar o melhor caminho pra seguir a vida. Se precisar de ajuda pra encontrar esse alguém, dá um grito que conheço umas terapias sensacionais.

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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