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Capítulo VII – A sequência da posse “das terras do Campo Largo”

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Para conhecer a história no futuro, é necessário “nunca se esquecer do passado”. Estamos agora estudando um passado mais remoto, para muitos, com informações desconhecidas, locais, personagens e ações exercidas por pessoas que influenciaram cada um dos ciclos econômicos e políticos, da ocupação das terras e da cultura de cada região.

Lembremos que Dom Rodrigo Castell Blanco subiu de Paranaguá para os Campos Gerais à procura de prata e ouro, mas, os que o acompanhavam estacam ávidos por procurar prosperidade ocupando terras e principalmente, transformando o perfil econômico das regiões. O tratado de Tordesilhas deixou de existir como barreira entre Portugal e Espanha, já que a “União Ibérica”, fez com que ambos os povos se tornassem subordinados a “Um mesmo Rei”, Dom Pedro I de Castela – Dom Pedro II de Portugal. Para nós, que moramos em Campo Largo (2019) é muito fácil compreender por onde ele passava: “Exatamente aonde há a Ponte sobre os Rio dos Papagaios, na BR277, sentido Ponta Grossa”. Os componentes da “Bandeira de Dom Rodrigo”, deram nomes aos rios, campos e acidentes geográficos até as Minas do Açungui. Deram o nome a um lugar chamado “Ilha”, que se tornou nome da Sesmaria, e deram o nome a um dos campos, que chamaram “Campo Largo”, próximo a um rio, que chamaram “Cambuhy” (rio de água de beber), hoje, 2019 chamado “Cambui”, por força da adaptação às leis ortográficas, e polo desconhecimento da linguagem indígena, também é citado como nome de um arbusto. Bem, isto é um outro assunto.

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A ocupação das terras era autorizada a partir de um “Termo de Posse”, conferidos em nome de “El Rei”, por governadores de capitanias, por Capitães-Mor ou a pedido dos Capitães Povoadores. Os primeiros termos de posse conferidos na região dos Campos Gerais e na região da “Villa de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais” foram passadas por Dom Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre e Salvador Correa de Sá e Benevides, todas passadas no Rio de Janeiro e confirmadas por “El Rei Dom João V”, juntamente com os termos de posse de Sesmarias do requerentes do Nordeste do Brasil. Em 1715 Paranaguá deixou de ser sede de Capitania e passou a fazer parte da Capitania de São Paulo. Então, os termos de posse de Sesmarias, passou a ser dado pelos Vicentinos (São Vicente) e Paulistas (São Paulo de Piratininga).

Vamos ao que nos interessa: “O CAMPO LARGO E SEUS PROPRIETÁRIOS”

O pedido de posse de uma sesmaria, na região aonde ficava o Campo Largo, foi feita por João Rodrigues França (que seria Capitão-Mor da capitania de Nossa Senhora do Rosário Paranaguá desde 6 de dezembro de 1704 a 1715, quando faleceu). Pediu em favor de sua filha Joanna Rodrigues França, como dote de casamento para com o Ten Gal Manoel Gonçalves da Cruz. Dona Joanna casou-se mais 2 vezes. Com o Cap. De Infantaria Manoel Mendes Pereira e com o Ouvidor Geral de Paranaguá, Dr. Antonio dos Santos Soares. Após seu falecimento, suas terras foram herdadas por Antonia da Cruz França, única herdeira, a qual herdava também a “Sesmaria da Ilha”. Casou-se em primeiras núpcias com Manoel dos Santos Lobato, num casamento de pouca duração. Contraiu segundas núpcias com o Sargento-Mor Francisco José Monteiro de Castro, que era governador militar de Paranaguá. Dona Antonia não teve nenhum filho. Idosa (55 anos para a época), Francisco José Monteiro de Castro foi nomeado administrador de seus bens. Christovão Pinheiro Rodrigues França, que era advogado, tratou de anular o testamento da sobrinha. Após tempos de causa, que Francisco José perdeu, um acordo foi proposto e a herança foi dividida.

Manoel Gonçalves de Siqueira, casado com Dona Paula Rodrigues França, passou para Dona Joanna Gonçalves de Siqueira, como dote de casamento com o Ten Domingos Lopes Cascaes, depois de um processo instaurado pedindo o termo de posse da Sesmaria de Ilha A Christovão Pinheiro Rodrigues França. Dona Joanna era filha de Pedro Siqueira Cortes em suas primeiras núpcias com Dona Anna Maria Gonçalves Coutinho, filha de Manoel Gonçalves de Siqueira e Dona Paula Rodrigues França.

Vieram a residir no Campo Largo, no qual montaram um sítio, e uma “estalagem/comércio”, chamada “Paragem do Campo Largo”.

Antes disso, Antonio Luiz Lamin “O Tigre”, por conta do litígio das terras de Dona Antonia, fez pedido para tomar posse da área que alegava ser “devoluta”. Após estudo do requerimento, foi comprovado que Dona Joanna e Domingos Lopes Cascaes já havia tomado posse da área da sesmaria, e que nela havia cerca de “50 fogos de almas” (famílias residindo na região).

Em 1696, Antonio Luiz Lamin “O Tigre”, residiu na primeira casa feita na sesmaria da Ilha, exatamente no local aonde em 2019 se encontra a “SAU da RODONORTE”. Em 1702, após receber o termo de posse da Sesmaria do Tamanduá, foi residir nas novas terras.Daí então começa uma nova história paralela, a do TAMANDUÁ, já que haverá uma lacuna de acontecimentos no Campo Largo até o início dos anos 1800.

Resumo das posses desde 1693 a 1907.

Primeiro pedido de posse: João Rodrigues França – Joanna Rodrigues França (1693) – Ten Gal Manoel Gonçalves da Cruz – Cap. De Infantaria Manoel Mendes Pereira – Dr. Antonio dos Santos Soares – Dona Antonia da Cruz França – Manoel dos Santos Lobato – Sargento Mor-Francisco José Monteiro de Castro – Christovão Pinheiro Rodrigues França – Dona Joanna Gonçalves de Siqueira/Domingos Lopes Cascaes 1728 – Ten Joaquim Lopes Sant’Anna Cascaes – Capitão João Antonio da Costa (15/03/1819) – Jerônimo José Vieira (08/02/1827 -100 alqueires no entorno da Capela para patrimônio) – Nossa Senhora da Piedade (Vigário Casimiro José Andrzeienski 24/09/1895)– Câmara Municipal de Campo Largo (Emmingo Ângelo – 17 de agosto de 1907).

O dinheiro recebido pela Igreja de Nossa Senhora da Piedade foi todo utilizado na construção da torre para a finalização da obra, em 1908. 10 anos mais tarde a igreja foi totalmente destruída para a construção da Igreja atual. Mas isto é uma outra história…

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Matriz

Na próxima edição: CAPITULO VIII – A capela do Tamanduá – O inicio da ocupação dos Campos Gerais. Um local que poderia ter se tornado uma Cidade.

 

*Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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