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    Primeira Semana do Advento: meditações diárias com Laudato Si’. Dia 4 de dezembro

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    A reflexão do dia 04 de dezembro é publicada por National Catholic Reporter, 01-12-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

    Quarta-feira, 4 de dezembro: Desertos e lixo
    O papa escreve que as reflexões teológicas e filosóficas sobre a situação da humanidade e do mundo podem soar como uma mensagem repetida e vazia, se não forem apresentadas novamente a partir dum confronto com o contexto atual no que este tem de inédito para a história da humanidade (…) Depois dum tempo de confiança irracional no progresso e nas capacidades humanas, [agora associada com a] intensificação dos ritmos de vida e trabalho, que alguns, em espanhol, designam por ‘rapidación’”.

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    Francisco é imparcial em sua avaliação e em sua crítica relativas à poluição e ao desperdício que produzem uma “vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres”, intimamente ligada à “cultura do descarte” e à “poluição que afeta a todos, causada pelo transporte, pelos fumos da indústria, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, inseticidas, fungicidas, pesticidas e agrotóxicos em geral. Na realidade a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros”.Quando o papa diz que “os idosos recordam com saudade as paisagens de outrora, que agora veem submersas de lixo”, está também dizendo por si mesmo. Ele viveu em uma das cidades mais populosas do mundo, uma cidade no hemisfério sul, Buenos Aires, cidade de doze milhões de habitantes. E, no entanto, embora o nome possa significar “bons ares”, Francisco é bem familiarizado com o fato de que bons ares – e bons ventos – em Buenos Aires são uma benesse desfrutada pelos ricos.

    A cidade, com aglomerados de pobreza com grande riqueza por perto, é uma típica megacidade dos países em desenvolvimento. A nojenta bacia do Rio Riachuelo, onde a cidade encontra o oceano, é uma das mais poluídas do mundo, repleta de detritos plásticos, lixo e efluência dos doze milhões de habitantes da cidade e de suas favelas localizadas nas encostas do próprio rio.

    Nestas cidades, estamos vendo também um símbolo da direção no futuro de muitas regiões dos países em desenvolvimento, onde o dinheiro necessário para a infraestrutura é, em vez disso, privatizado e desviado para “consertos” tecnológicos que nada consertam, ou para o engrandecimento pessoal, lucros que defraudam o bem comum.

    “As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia”, escreve Francisco. “(…) Às próximas gerações, poderíamos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo.

    “O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual – por ser insustentável – só pode desembocar em catástrofes, como aliás já está a acontecer periodicamente em várias regiões”.

    Preciso ser capaz de aceitar o que o papa fala em termos abrangentes sobre os problemas – com muito mais ainda a ser discutido – sem acabar sobrecarregado ou sentindo-me incapaz. Quem sabe, se inicialmente focar mais proximamente no privilégio das coisas do dia a dia que tenho, como música, roupas quentes, uma cama confortável, o meu carro, os meus aparelhos eletrônicos, posso começar a partir daí.

    Ó Deus, permita-me cultivar virtudes ecológicas.

    Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/594850-primeira-semana-do-advento-meditacoes-diarias-com-laudato-si-dia-4-de-dezembro

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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