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    Deus me livre guarde de você!

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    Era uma vez uma mulher tão apaixonada, tão apaixonada por um homem que toda vez que ela pensava nele, ajoelhava e começava a orar pedindo pra Deus que tirasse dela todos aqueles pensamentos.

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    – Deus…
    Estou tentando loucamente acabar com essa suposta relação antes que isso vingue.
    Minhas neuroses não me deixam seguir em frente. Tenho essa mania juvenil da impossibilidade do amor. Vai que numa dessa, as coisas dão certo.
    Não é de amar que tenho medo é de ser amada.
    Vai que numa dessas ele se encanta com meu encanto e queira ficar encantado por mim. -Deusmelivre-
    Vai que numa dessas ele resolva ficar.
    Eu sofro, Deus, é de amor correspondido.
    O que eu faço se ele, por algum motivo, resolver ficar?
    Passo madrugadas acordadas, perdida em meus pensamentos e tentando descobrir uma forma pra ele ir embora. Não é que eu queira que ele vá. É que eu não sei o que fazer se ele resolver ficar.
    Lembra, Deusinho, da filha da dona Maria? Ela tinha um futuro promissor, mas aí se apaixonou pelo Zezinho, e hoje ela tem uma família linda, daquelas de pote de margarina e ela jura que é feliz. O que eu faria com uma família feliz? O que eu faria se fosse feliz pra sempre? Quem consegue ser feliz pra sempre? Tenho certeza que um dia eles vão se separar, porque nada é pra sempre. História de final feliz?! Conta outra, tudo tem um fim. Eu prefiro nem começar.
    Eu sei que ele não me prometeu que seria pra sempre, aliás outro dia, ele disse que não podia me prometer nada e que estava muito feliz com o que tínhamos e que esperava que durasse o tempo suficiente para sentirmos verdadeiramente felizes. Isso me causou uma angústia ainda maior. Essa maldita mania de ser perfeito que ele tem? Até quando faz algo errado acaba acertando. Ninguém pode ser tão assertivo assim, tem algo de errado nele. Só pode!
    Fico aqui criando milhares de maneiras dele me deixar. Porque eu não consigo mandá-lo embora. É ele que precisa me deixar.
    Será que não dá pra ele ser como todos os outros?
    Eu tenho em mim todas as estratégias para superar o amor, ouvi todas as músicas da Anitta sobre o empoderamento feminino, inclusive, essa nova dela com a Marília Mendonça. Eu sei sofrer demais por amor não correspondido.
    Mas agora, meu Deus…

    Eu sofro é de amor correspondido e não tenho a menor ideia do que fazer com isso.
    Amor, amor, amor, Deus me livre guarde de você!

    Alguém obsessivo é alguém obcecado, o pensamento é repetitivo, é insistente, o pensamento não varia, o pensamento não báscula, não se transforma, o pensamento é monobloco, é uma tormenta, é um inferno. A neurose obsessiva consome a pessoa em seu próprio drama e cada vez mais provoca o sofrimento.
    A neurose obsessiva, segundo Freud, é fixa, é rígida e coloca a pessoa numa lógica muito particular, ela sofre demais. Mais uma vez o medo da castração e o medo da finitude faz a neurose ficar ali garantindo e dando suporte a vida. Na neurose obsessiva se verifica a complexidade das relações afetiva, ambivalência e antagonismo: O ódio e o amor. O(a) neurótico (a) não pode amar sem odiar e não pode desejar sem logo se distanciar do que deseja. Posterga as decisões cruciais da vida como uma maneira de resistir ao passar do tempo. Nunca chega a hora, nunca é o momento. Diferente da histeria na qual o desejo é eternamente insatisfatório, na neurose obsessiva o desejo é impossível de encontrar o caminho para a satisfação, na neurose obsessiva a gentileza gera uma dívida impagável e perde a sua vida numa completa lucidez, a neurose obsessiva produz um sujeito destruidor das questões e um amante das dúvidas.

    Do que mesmo serve o amor se não for pra ser vivido?

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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