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“Sesquicentenário da Villa de Nossa Senhora da Piedade do Campo Largo”

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Capítulo I de III – (entenda como mudaram a história)

Ah! Não sabe o que é “Sesquicentenário”?

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Sesquicentenário é igual a 150 anos. Também pode ser conhecido como Tricinquentenário, mas, sesquicentenário soa melhor.

Ah! Não sabe quando Campo Largo nasceu? Pode ter nascido a 2 de fevereiro de 1827, quando a Capela de Nossa Senhora da Piedade foi entregue à comunidade com o casamento de Gertrudes Maria de Jesus com José Francisco Soares. Ou 12 de março de 1841, quando foi elevada à Freguesia Colada à de Curitiba. Exemplo: Ponta Grossa comemora dia 15 de setembro, dia em que foi elevada à freguesia. E 2 de abril de 1870, quando a freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Campo Largo foi “emancipada politicamente”, e elevada à categoria de “Villa”.

Ah! E 23 de fevereiro de 1871? Este é o dia em foi instalada a Câmara Municipal. Para haver uma um poder instituído, é necessário que haja a “Emancipação Política”, e esta aconteceu em 2 de fevereiro de 1870.

O que é “Emancipação Política”?

– É o ato de tornar livre, independente e em igualdade, um grupo de indivíduos, independentemente de religião, propriedade ou características privadas, em uma área com delimitação geopolítica, com poder de auto-gestão, para a criação de poderes políticos, administrativos e executivos.

O que é a “Instalação da Câmara”?

– A instalação corresponde ao início efetivo do município, o que se dará com a posse de um Prefeito e respectivos vereadores para formar uma Câmara Municipal. Estes formadores do poder executivo e legislativo serão eleitos ou nomeados, conforme intervenção, após a “Emancipação Política”.

Ah! Nem é de Campo Largo, em nem sabe se ensinam isso nas Escolas do Município?

Então vamos lá que esta história é longa, tem quase “Duzentos anos”.

Sim, quase duzentos anos, porque por mais de um Século o dia oficial do nascimento de Campo Largo era considerado “2 de fevereiro”. Uma história marcada por fatos românticos, de muito trabalho, de várias epidemias, de visitas históricas e principalmente, como acontece agora, em 2020, erros históricos por falta de conhecimento documental.

É incrível pensar que os anos foram passando e a memória foi desaparecendo, tipo, “aniversário de Vó”, que se comemora, alguns até dão presente, mas a maioria espera é que Ela faça a festa. Campo Largo já teve um hino, mas um novo foi feito porque os vereadores não o conheciam. Campo Largo possui uma Bandeira e um Brasão e Armas, que foi todo adulterado, mas que não existe nenhum órgão que possa zelar pela verdade sobre ele. Ou melhor, existe, e é a Câmara Municipal, mas nem eles sabem disto. Quem faz as leis, quem aprova as leis ou quem as mantém em seu vigor é ela. A Câmara Municipal.

Foi o que aconteceu com o Dia 2 de Fevereiro, considerado por mais de um século a “Data de Aniversário de Campo Largo”. E porque ela foi mudada? “Por razões políticas”. Nos anos 1930 a maioria dos nomes das ruas de Campo Largo foram mudadas, principalmente as mais centrais. A Praça da Matriz passou a ser “Praça Marechal Floriano”, a Rua Rocha Pombo passou a ser Rua Marechal Deodoro, a Travessa Almeida Barbosa ( por decreto 131 de 22/12/1928) passou a ser Rua D. Pedro II, a Rua do Comércio (ou Estrada do Mato Grosso) passou a ser Rua XV de Novembro, desde a Praça João Antonio da Costa, em frente aonde hoje é o Colégio Sagrada Família, e que na época se chamava “Instituto Santa Therezinha”. Mas foi a disputa por uma quadra que mudou a primeira data de aniversário. A rua entre a Praça João Antonio da Costa e a Praça Marechal Floriano, em sua extensão, “pertencem” à administração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Quem passar por ali, mesmo em 2020, notará uma singularidade, é a área calçada mais larga de todas as ruas de Campo Largo, compartilhada com carros.

Tá! E o que aconteceu? A administração municipal resolveu projetar visualmente a Praça Marechal Floriano e “arrabaldes”. A única entrada na Cidade era a Rua 5 de julho (nome dado à rua pela data da visita da Princesa Izabel à Campo Largo e inauguração da “fonte”, hoje chamada: “Chafariz”). Um pedido do executivo municipal à “Fábrica da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade” ( nome que se dava a uma “firma”), para a sessão do espaço da quadra, bem como do mesmo espaço das quadras da Igreja, para que se fizesse o alargamento da rua, recebeu uma contra-proposta, que versava em requerimento:  “A isenção da ‘Fábrica’, de todos os impostos de seu patrimônio imóvel em Campo Largo”, o que foi indeferido pela administração pública, que ficou sem alternativas para o alargamento. Na sequência, uma lei municipal “destituiu o dia 2 de fevereiro” como sendo aniversário da cidade, sendo apenas indicado como data de homenagem à “Padroeira do Município”. Instituiu-se então a data de 2 de abril como sendo a nova data de aniversário, dia da “Emancipação Política”, acontecida em 2 de abril de 1870.

Erros de informação aconteceram desde o primeiro livro que se escreveu sobre a história do povoado. O Alferes José Pinto Ribeiro Nunes foi o primeiro a relatar a data da inauguração da Capela de Nossa Senhora da Piedade. Ela foi inaugurada com o casamento da filha dele, Gertrudes Maria de Jesus, com José Francisco Soares. Um pouco da história do povoado foi escrito no livro “Épocas desta Povoação do Campo Largo”. Também escreveu “Esmolas de Fiéis e Seus Nomes”, contando a história da construção da primeira Capela. Ah! Muito me serviram como informação aquelas leituras. Soube do infortúnio do proprietário das “relíquias” e que as perdeu em uma inundação em Santa Catarina, mas eu tive o prazer de reproduzir em manuscrito para me basear como informação da construção da capela, e de saber quem eram os que viviam por aqui. Aqueles dados pelo “Mestre Pinto”, pai de Gertrudes, foram tidos como exatos, e enviados para Mar de Espanha, onde Antonio Joaquim de Macedo Soares, que residiu em Campo Largo em 1875/76, adicionou ao livro “Subsídios para a História da Província do Paraná”, que foi transcrito por “Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo” em um Jornal da Capital, no dia 1º de fevereiro de 1826.

Mesmo, assim, desde que comecei a fazer pesquisas históricas, ouvi muitas, mas, ao final sabia que só poderia acreditar de forma real se possuísse documentos comprobatórios. Também aprendi a nunca acreditar no que está escritos nos jornais, e hoje tenho convicção de que eles noticiam produções prontas ou apenas dão a versão do repórter ou da linha editorial da empresa jornalística. Para um jornal, “Verdade é a interpretação de um fato. Para um historiador a “verdade já foi escrita por outro, basta copiar”, e para um “Pesquisador Histórico”, como eu, “a verdade não é o que se diz, e sim o que se comprova”.

De qualquer forma, aniversários foram comemorados em várias datas há muito tempo. Com datas tidas como verdadeiras, por tradição e sem necessidade de comprovação alguma.

Em 1924, uma comissão foi formada com objetivo de estudar a maneira de comemorar o centenário da construção da primeira Capela. A nova Igreja estaria em construção plena, com necessidade de espaço físico para acomodar os padrinhos da festa, os romeiros e os festeiros. Não se perdeu tempo para conseguir terminar os preparativos a tempo de comemorar. Mas esta é uma outra história da qual no futuro falaremos.

Dia 2 de fevereiro anos mais tarde deixou de ser a data de nascimento do município, que por razões políticas, após o desentendimento sobre o alargamento da rua, deixou de figurar no calendário oficial como “data de nascimento de Campo Largo.

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Convite para os festejos do aniversário de Centenário da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, e Centenário de Fundação do Município de Campo Largo, em 1926.
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Aniversário do Centenário de Criação da Paróquia, quando, em 1841, quando A Capela de Nossa Senhora da Piedade do Campo Largo passou a ser a “Freguesia Colada à de Curitiba”.

No capítulo II: Documentos que mostram a data real da inauguração da Capela de Nossa Senhora da Piedade do Campo Largo, em 1827.

Como a história contada é modificada conforme o tempo e as pessoas que a reproduzem. Reconheça os documentos originais.  No Capítulo III – Feliz Aniversário Campo Largo. Documentos que comprovam a data da “Emancipação Política” – 2 de fevereiro de 1870.

 

*Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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