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    Coronavírus: campolarguenses que ficaram “presos” em cruzeiro voltam para casa

    Navio seguia para a Itália, epicentro da pandemia do Covid-19, mas precisou ter o itinerário alterado para Portugal. Para a grande maioria dos passageiros, a MSC Cruzeiros organizou voos charters diretos ou outros tipos de transporte de acordo com a nacionalidade de cada um. A empresa informa também que os tripulantes ainda receberão uma carta de crédito no valor do pacote do cruzeiro, que poderá ser resgatado em um cruzeiro futuro

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    Cinco moradores de Campo Largo que participavam de um cruzeiro internacional ficaram praticamente de mãos atadas com a mudança de itinerário do navio em virtude da pandemia de coronavírus. O cruzeiro partiu do porto de Santos (SP) no dia 10 de março e seguia para a Itália, mas com o fechamento dos portos no país que é hoje o epicentro do Covid-19, a tripulação foi avisada no último dia 17 de que a viagem teria desembarque antecipado em Lisboa, Portugal, no dia 22 de março. Lá, os viajantes seriam deixados “à própria sorte” e sem qualquer assistência, pois teriam que procurar local de hospedagem. As informações constam em uma liminar expedida na manhã do último dia 20, pelo juiz Antônio José Carvalho da Silva Filho em favor a um dos campo-larguenses que está no navio. Mais de 500 brasileiros estavam na mesma embarcação.

    Na terça e quarta-feira, dias 24 e 25, os passageiros, incluindo um campo-larguense, voltaram para o Brasil. A MSC Cruzeiros informou por meio de nota que organizou voos charters diretos e outros tipos de transporte para garantir o retorno de cada tripulante. Agora, novamente em Campo Largo, um dos participantes do cruzeiro deve permanecer em quarentena. “Os passageiros que estão a bordo receberão uma carta de crédito no valor do pacote do cruzeiro, que poderá ser resgatado em um cruzeiro futuro, a qualquer momento até o final de 2021, e um crédito a bordo de 200 Euros/Dólares, por cabine, reembolsável, a ser utilizado no futuro cruzeiro”, diz nota da empresa.

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    Relembre

    O campo-larguense é cliente do escritório Valter Luiz de Almeida Jr – Advogados Associados, de Campo Largo, que ajuizou ação de indenização por danos materiais e morais contra a empresa de cruzeiros. De acordo com Valter, seu cliente adquiriu um serviço de viagem marítima em julho do ano passado e pagou em 10 vezes pelo serviço, que passaria pelos países da Espanha, Portugal, França e Itália.

    Na época do embarque, o campo-larguense entrou em contato com a empresa para tentar remarcar ou adiar a viagem, pois já havia notícias sobre o alastramento do coronavírus em diversos países. A empresa, no entanto, teria dito que não seria possível mudar a data da viagem e informado que as autoridades tinham ciência do referido cruzeiro e que estava tudo confirmado e, “que se fosse vontade do requerente cancelar haveria multa de mais de 70% do valor contratado, conforme contrato. Foi garantida a realização de viagem tranquila e sob controle, pela experiência que a ré tem em oferecer os serviços de cruzeiro marítimo”, diz o processo.

    Um dia após o embarque, no dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia para o vírus, o que gerou interesse dos passageiros em retornar para o Porto de Santos e interromper a viagem. No dia 13, o capitão do navio teria facultado aos tripulantes o desembarque em Maceió (AL), mediante assinatura de um documento que atestava a interrupção do cruzeiro, desde que cada um dos turistas arcassem com as despesas de retorno e hospedagem, sem auxílio da empresa. “O autor e mais centenas de outras pessoas do cruzeiro não optaram em desembarcar em Maceió/AL, pois o requerente não teria como dispor de valores para compra de passagens aéreas, visto que a passagem de volta já estava comprada de forma parcelada, e seu orçamento já estava ‘esticado’. Assim prosseguiram rumo à Itália”, diz a liminar.

    O maior problema começou na terça-feira, dia 17, quando os tripulantes receberam um comunicado de que a viagem teria desembarque antecipado para Lisboa, único destino europeu disponível para o atraque do navio. De acordo com Valter, seu cliente e demais tripulantes seriam deixados “à própria sorte” em Portugal. A passagem de retorno do campo-larguense para o Brasil, por exemplo, está marcada apenas para o dia 02 de abril e, além disso, não certeza de que ele conseguirá antecipar a sua passagem aérea. “A empresa pretende desembarcar os passageiros, expondo todos a risco de contaminação que está alastrado em toda a Europa”, acrescenta o processo. Pelo itinerário da viagem, o navio passaria por Lisboa no dia 23 de março e depois iria ainda para a Espanha, França e finalmente Itália, no dia 29 de março.

    Na decisão, o juiz determinou que a empresa de cruzeiros forneça ao campo-larguense a hospedagem e alimentação, seja ela dentro do navio ou em hotel em solo português; além de transporte marítimo ou aéreo para o regresso dele ao Brasil. O descumprimento das determinações acarretará à empresa o pagamento de multa diária de R$ 10 mil. De acordo com o juiz, “era plenamente previsível para os diretores da (empresa de cruzeiros), bem como ao Capitão do (navio) as enormes dificuldades que iriam enfrentar em solo europeu, sem contar, o risco de não desembarcarem pelo fechamento de fronteiras ou não autorização de aportarem, como ocorreu com vários navios desde a explosão mundial do vírus”.

    Nota

    A empresa de cruzeiro enviou a seguinte nota para o jornal, informando quais foram as medidas tomadas:

    “À medida que a emergência de saúde pública em relação ao COVID-19 continua evoluindo, as autoridades de todos os países do itinerário da Grand Voyage do MSC Fantasia fecharam efetivamente seus portos para todos os navios de cruzeiro. Devido a isso, o navio navegou em direção a Lisboa, onde será o seu destino final. O MSC Fantasia chegou à Lisboa, em Portugal, dia 22 de março, às 9h, horário local. Este é o porto final do cruzeiro do MSC Fantasia. Tendo em vista a decisão da MSC Cruzeiros de interromper, temporariamente, todas as suas operações até 30 de abril, o MSC Fantasia deixará agora de operar.

    A MSC Cruzeiros cooperou com as autoridades portuguesas para coordenar a chegada do navio a Lisboa e o desembarque dos passageiros. Todos os passageiros voltarão para seus países de origem logo após desembarcarem do navio.

    O desembarque está previsto para durar pelo menos até a quinta-feira, 26 de março, para permitir que os hóspedes cumpram seus planejamentos aéreos ou outras conexões de viagem. Isso se deve à disponibilidade extremamente limitada de voos para muitos dos países em que os hóspedes residem. Para a grande maioria dos passageiros, a MSC Cruzeiros organizou – sob a orientação de autoridades locais – voos charters diretos ou outro transporte de acordo com a nacionalidade.

    Os passageiros que estão a bordo receberão uma carta de crédito no valor do pacote do cruzeiro, que poderá ser resgatado em um cruzeiro futuro, a qualquer momento até o final de 2021, e um crédito a bordo de 200 Euros/Dólares, por cabine, reembolsável, a ser utilizado no futuro cruzeiro.

    Quaisquer pacotes pré-pagos (bebidas, excursões, etc.), proporcionais aos dias não usufruídos do cruzeiro, também serão automaticamente reembolsados.

    A MSC Cruzeiros gostaria de agradecer às autoridades portuguesas por sua cooperação. Queremos também pedir desculpas aos nossos passageiros pela inconveniência que essa situação criou e agradecer a eles por sua confiança e compreensão”.

     

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