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    Que Ufaaa que você me causa!

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    Acordei e não queria abrir os olhos. Minha cabeça doía a cada tentativa e sentia aquele habitual friozinho na barriga.

    Tive um sonho daqueles bem-bem-bem verdadeiros. No dia anterior fiz um trabalho de regressão e nele me via na beira de um penhasco. Meu sonho foi assim, eu fugia desesperadamente num cavalo e chegava na beira de um penhasco.   Eu quase caía do penhasco, mas alguma coisa invisível me segurava, não sei o que era.

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    Virei para o outro lado da cama para puxar seus braços e ficar agarradinha e me encaichar de conchinha em você.

    Sem abrir os olhos procurei seu pé pra poder receber aquele seu carinho-no-pé…

    Mas você não estava ali.

     

    Fui obrigada a acordar. Onde você estaria num domingo?!

    A casa estava num silêncio, não preparou o café, nenhum resquício de você.  Logo você, que faz barulho pra tudo, que por onde passa deixa o tapete desarrumado, roupa jogada.

    Nada de você!

    .

     

    Na geladeira, um bilhete.

     

    A minha semi-dor-de-cabeça, que antes estava espalhada pelas minhas têmporas, fixou-se do lado direito da cabeça, fazendo um tum-tum-tum tal como o meu coração fazia gostoso logo que nos conhecemos, só que na cabeça era horrível. Na barriga o que era friozinho virou invernão, Alasca-nível-hard.

     

    Sabe… Eu sabia que isso aconteceria um dia. Há dias, talvez até meses que tenho essa sensação de viver à beira do abismo que é amar alguém que eu sei que me ama também, mas que é tão titubeante do amor…

     

    Esse frio constante no meu intestino delgado, que passa pelo meu estômago, atinge minhas vísceras me lembra a cada segundo do esforço que você não faz para deixar de ser frio comigo.

    Eu vivo todo o tempo esperando que algo de muito ruim aconteça.

     

    Fiz hipnose, regressão, fui para terapia e todos nomearam de transtorno de ansiedade generalizada com transtorno de depressão.

     

    É que segundos depois de me sentir tão ansiosa, tenho vontade de fechar meus olhos e nunca-nunquinha-nunca-mesmo acordar.

     

    Enquanto eles ficam nomeando com um monte de palavras ou siglas “carinhosas”, eu sei que pra mim essa angustiante espera por sua saída da minha vida.

     

    Agora você se foi. Não preciso me aproximar muito do bilhete na geladeira. É bem sua carinha fazer isso e de verdade, depois de muito tempo, consegui respirar bem profundamente.  Que Ufaaaaaaaaa, longo.

    Sinto-me aliviada.

    Agora que você partiu não preciso mais acordar e ir correndo ao banheiro dar um trato na minha cara.  Também não preciso orar pedindo a Deus pra que você esteja de bom humor. Nem preciso tentar compreender o que você diz, e nem rir das suas piadas sem graça. Temporariamente.

     

    Agora não preciso fazer mais promessas pra Santo Antônio, pedindo que você fique, ao menos mais uma noite…  Nem pra São Longuinho, pra achar um pequeno sinal, por menor que seja de alegria em seu rosto.

     

    Agora posso ir trabalhar tranquila, sem aquela sensação de estar com a roupa errada, ou quebrando a cabeça pra saber se fiz algo de errado pra você. Mesmo sabendo que intimamente eu não fiz nada, porque eu nunca faço nada de errado e talvez seja bem esse o meu erro.

     

    Agora poderei comer a vontade sem me preocupar em vomitar depois, nem passar mal porque meu intestino delgado não sofre mais.

     

    Não me preocuparei mais com todas aquelas mensagens que você recebia e dava um sorrisinho de canto. Nem com a importância que as suas amigas têm na sua vida, não terei mais que ficar prestando atenção pra ver se o brilho dos seus olhos aumenta quando você fala delas.

     

     

    Acabou a minha ansiedade, a minha depressão, as suas amigas, as mensagens de madrugada e todas as orações que deixavam Deus e todos os Santos de saco cheio, nem jejum, nem insônia, nem dores de cabeça.

     

    Me aproximei do bilhete, frente a frente.

     

    ” Fique bem linda, te pego mais tarde pra almoçar com meus pais.”

     

    Você sempre volta… O real Ufaaaaaa!

     

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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