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    Ainda vale a pena comprar um PS4 ou Xbox One com a nova geração vindo aí?

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    Tanto a Sony quanto a Microsoft já anunciaram que vão lançar seus novos consoles no final de 2020, e o Natal pode ser o marco para muita gente trocar de console. Apesar disso, ainda tem muita gente em dúvida sobre se ainda vale a pena comprar um PlayStation 4 ou Xbox One no final de uma geração?

    De pronto, a resposta mais possível para esta pergunta é: sim, vale muito a pena comprar um console no final de uma geração. Aliás, talvez esta seja a melhor época para você adquirir um videogame. Contudo, pode haver algumas ressalvas nesse pensamento. Vamos à nossa análise.

    Hardware mais refinado

    A Sony já confirmou que o PlayStation 5 terá uma série de melhorias. A primeira delas é a adição de um SSD ultrarrápido que fará os jogos carregarem até 100 vezes mais rápido que o PS4. Assim, a empresa efetivamente elimina os tempos de loading.

    O console também chegará com suporte nativo a 4K, taxa de atualização de 120 Hz e ray tracing. Em alguns casos, também haverá suporte a 8K, embora isso ainda não tenha sido detalhado. Outro diferencial já confirmado pela Sony é o suporte a áudio tridimensional.

    O Xbox Series X também já teve algumas de suas especificações confirmadas e, ao que tudo indica, deve entregar mais poder de processamento gráfico que seu concorrente. Isso se deve à GPU AMD de 12 teraflops, 52 CUs (16 a mais que a do PS5) e suporte a ray tracing.

    Tudo isso pode fazer com que você tenha aquela vontade de esperar a próxima geração para comprar um aparelho já no lançamento. Contudo, essa pode não ser uma boa ideia.

    Um console no final de sua geração conta com uma série de características que suas versões de lançamento não têm.

    Em 2013, tanto o PlayStation 4 quanto o Xbox One chegaram ao mercado com problemas em seu lançamento. Do lado da Sony, a questão estava nos cabos HDMI de baixa qualidade que vinham com as primeiras versões do console. Já do lado da Microsoft, o modelo original do Xbox One era um grande trambolho em cima da mesa. Ele era vendido obrigatoriamente com o Kinect, que também ocupava espaço desnecessário na sala.

    Foi só em meados de 2016 que a Microsoft lançou o Xbox One S, versão repaginada do console e com melhores capacidades. Ele chegou compatível com HDR e resolução 4K nativa na reprodução de vídeos (nos jogos, fazia upscaling).

    Contudo, são os detalhes que mostram que a Microsoft aprendeu com os erros do seu console original. A versão S não vinha mais com o Kinect, o design do console era 40% menor que o original, a fonte de energia veio para dentro da carcaça e os botões de ejetar e ligar deixaram de ser sensíveis ao toque e foram trocados por versões físicas, evitando as incontáveis vezes que se ligava o console sem querer. Ou seja, é um modelo várias vezes melhor que o original.

    Do lado da Sony, aconteceu o mesmo. O PlayStation 4 Slim chegou com capacidades semelhantes às do PS4 original, mas com hardware mais reforçado, design revisto e com dimensões 40% menores e mais facilidade na hora de trocar o HD por um maior. Junto dele, o DualShock 4 também ganhou uma nova versão com mudanças no design.

    Erros de lançamento

    Assim, esperar um ou dois anos para entrar na nova geração pode ser uma excelente pedida para fugir de problemas de hardware, por vezes comuns na indústria de consoles. Um exemplo recente disso é o problema de conexão entre joy-cons nas primeiras versões do Switch.

    Quem comprou o console da Nintendo já na primeira leva reclamava constantemente de problemas de conectividade entre o controle e o console, principalmente quando o acessório estava longe do aparelho no acoplado à doca. Embora não tenha assumidamente reconhecido isso, é sabido que os consoles produzidos depois do lançamento contam com pequenas mudanças de hardware que resolveram a questão.

    Esse tipo de falha pode ser relacionado à qualidade das peças e até de design. Quando a Nintendo lançou o Wii, foi preciso que muita gente quebrasse seus televisores até a empresa colocar as pulseiras para segurar os WiiMotes, caso escapassem das mãos dos jogadores.

    Com isso, a indicação mais sensata é sempre esperar ao menos um ano para comprar um novo videogame para ele já vir com ajustes feitos pós-estreia, sem que você passe perrengue.

    Preço

    Não há dúvidas de que um console é mais caro no seu lançamento. Contudo, isso pode ficar ainda mais evidente a depender da oferta do dispositivo. A chegada da atual geração em solo brasileiro foi curiosamente conturbada e merece uma pequena volta ao passado.

    A começar pelo PlayStation 4. O console foi lançado nos Estados Unidos a US$ 400 em sua primeira versão. Ele contou com reduções em todo mundo, chegando ao atual preço oficial de US$ 350. É possível achá-lo por preços menores caso o usuário opte por comprá-lo em bundles com jogos e acessórios.

    Aqui no Brasil, contudo, o aparelho chegou oficialmente por R$ 4 mil. Sim, a quem ainda não acompanhava o mercado de jogos naquela época, a primeira leva foi comercializada a esse preço exorbitante, gerando memes como o do “PlayStation 4K” ou mesmo a famosa frase “Eu escolhi esperar” em alusão à queda do preço do aparelho.

    O lançamento do Xbox One também não foi dos melhores. O aparelho chegou ao mercado norte-americano custando US$ 500 — US$ 100 a mais que seu principal concorrente por conta do Kinect. O acessório, que se mostrou bastante desnecessário, acabou por se retirado do pacote somente em junho de 2014. Sem a peça, ele pôde ser vendido na casa dos US$ 400.

    Em 2016, a companhia anunciou novo corte para estimular a venda do modelo S, jogando o preço do aparelho para US$ 300.

    Aqui no Brasil, contudo, o videogame foi lançado com etiqueta de aproximadamente R$ 2,5 mil.

    Até recentemente, tanto PlayStation 4 Slim quanto Xbox One S podiam ser encontrados no varejo brasileiro custando cerca de R$ 1.300; contudo, diante do atual cenário econômico, com o dólar cotado acima dos R$ 5 e boa parte da indústria sofrendo as consequências da pandemia do novo coronavírus, o videogame da Sony não é encontrado por menos R$ 2.400, enquanto o da Microsoft está saindo por R$ 1.700.

    Acesso a jogos

    Este talvez seja o ponto mais difuso com a nova geração chegando aí. Geralmente, o lançamento de novos consoles significa também um novo aprendizado em desenvolvimento para quem cria games.

    Isso significa que leva um tempo até que desenvolvedores comecem efetivamente a usar toda sorte de ferramentas e capacidade que o novo console dispõe. Assim, é natural que o primeiro ano de uma nova geração conte com jogos mais fracos, ou poucos títulos em que realmente valha a pena investir.

    Isso aconteceu em 2014, quando a Nintendo tinha uma série de jogos para o WiiU, enquanto a Sony e Microsoft amargaram com o relançamento de remasterizações para seus novos consoles, ou mesmo poucos títulos novos. Foi só no final de 2014 que a roda começou a efetivamente rodar e os games ganharam força no PS4 e Xbox One.

    O catálogo do PlayStation 4 conta com uma série de exclusivos de peso, um leque de bons jogos de estilos variados. A questão do preço volta aqui também. Se a maioria dos grandes games foram lançados na casa dos R$ 150 e R$ 200, agora há boas promoções ou versões sendo vendidas por R$ 50 na internet ou mesmo na loja digital da Sony.

    Do lado da Microsoft, mesmo com os últimos anos de poucos títulos exclusivos, a empresa conta com bons serviços. O principal deles é o Game Pass, plataforma de assinatura em que o jogador tem acesso a mais de 100 títulos por R$ 30 mensais. Ou seja, um usuário que compre o console neste momento pode ter acesso a uma biblioteca vasta a um preço bastante baixo, incluindo os exclusivos da Microsoft.

    A oferta de jogos é um dos principais argumentos para adquirir um console no final de uma geração. Contudo, especialmente na próxima geração, isso pode mudar. Tanto a Microsoft quanto a Sony já demonstraram interesse em oferecer retrocompatibilidade para seus aparelhos.

    O Xbox Series X contará com o Smart Delivery, uma funcionalidade já detalhada pela Microsoft. Resumidamente, os jogadores que comprarem determinados jogos para o Xbox One, terão direito a fazer um “upgrade” e levá-lo gratuitamente para o Series X. Tudo indica que o console continuará contando com o recurso de retrocompatibilidade atual do Xbox One, que abrange títulos do Xbox 360 e do Xbox original, mas a Microsoft ainda não especificou como isso funcionará de verdade.

    A Sony também comentou que o PlayStation 5 terá capacidades de retrocompatibilidade, mas ainda não detalhou como o recurso funcionará.

    Esperar para ver?

    Se você ainda está indeciso e pretende esperar o lançamento da nova geração para comprar um PS4 ou Xbox One, a movimentação pode ser arriscada. O primeiro pensamento que vem à cabeça é de que, com novos aparelhos no mercado, a tendência é de redução dos preços dos antigos.

    Embora seja um raciocínio lógico, isso não se aplica 100% ao mercado brasileiro. Segundo histórico da Pesquisa Brasil Games, grande parte dos jogadores, dentro do escopo de consoles, ainda está na geração passada de aparelhos, senão na anterior.

    Em 2017, o documento apontou que 44,2% do total de usuários jogava no Xbox 360, dominante no momento. O número caiu para 32% nos dois anos seguintes, sendo que o PlayStation 4 tomou a liderança (37,6%). O PlayStation 2 também segue forte como o console preferido de 23% dos jogadores.

    Aqui também vale um relato pessoal. Desde 2013, este jornalista que vos fala mantém contato com lojistas sobre a venda e troca de aparelhos no país. Grande parte ainda diz que, embora em decadência, a procura por aparelhos da geração passada ainda é alta.

    Com isso, no lançamento da próxima geração, não espere que o preço de PS4 ou Xbox One caia de forma significativa. Mais uma vez, diante da alta procura e baixa oferta, a tendência é que esse preço leve um tempo até cair. Em alguns casos, pode ser que o lojista opte por subir o preço dos consoles desta geração para vender melhor o da próxima.

    A técnica de mercado é bem conhecida e se chama ancoragem. A proposta é fazer a variação entre o produto médio (Xbox One ou PS4) e o mais avançado (nova geração) ser tão pequeno que o usuário opte pela versão mais cara.

    Assim, esperar para o ano que vem para comprar o seu console pode não significar um negócio mais vantajoso.

    Por que entrar na próxima geração?

    Diante de tantas desvantagens em comprar um console no lançamento, o leitor pode estar se perguntando: “existe motivo para entrar na próxima geração mais cedo?”.

    Os dois principais argumentos de venda são simples. O primeiro é a vontade do usuário ser um early adopter, ou seja, aquele que gosta de estar sempre atualizado, experimentando e usando o que há de mais novo no mercado. Como todo early adopter, há aqui a consequência de ser quase que o grupo de testes de uma nova tecnologia, podendo comprar um aparelho não tão bem acabado assim.

    O segundo principal argumento de venda são os próximos games a serem lançados. A Sony já confirmou, por exemplo, que o PlayStation 5 terá como um dos títulos de lançamento Marvel’s Spider-Man: Miles Morales, enquanto a Microsoft prometeu revelar jogos exclusivos em evento que acontecerá em julho de 2020.

    Assim, se você está pensando em comprar um novo console, mas estava em dúvidas se agora é uma boa hora para isso, a dica é: vai fundo, não há momento melhor que final de geração para comprar um videogame. Em especial neste ano, com a economia do jeito que está, talvez valha esperar por uma Black Friday ou similar para pegar seu PlayStation 4 ou Xbox One com um preço mais em conta e mais próximo aos praticados até 2019.

    De resto, se você estava pensando em comprar o PlayStation 5 ou Xbox Series X, a recomendação mais sensata é esperar entre um a dois anos para pegar um deles. Você vai adquiri-lo já com hardware revisado e também com uma boa oferta de jogos. De quebra, também pode pagar preços melhores tanto no aparelho em si quanto na compra de games antigos.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    fonte:canaltech

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