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    Entre a fuga e a entrega: O caso de Jonas na tempestade Jonas 1:7-13 Primeira parte (1/2).

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    Jonas é um profeta muito conhecido pela história narrada no livro que ocupa uma pequena parte da Bíblia, o relato do livro deixa claro que ele foi enviado por Deus para pregar as novas da salvação aos ninivitas, porém recusou a ordem divina e partiu para Társis (Espanha), porém Deus lhe fez chegar em Nínive, ainda que ele não tinha a mínima intenção de cumprir aquela “Grande Comissão”. Esta é uma das mensagens que os pregadores usam com frequência para ensinar o poder de Deus sobre a natureza e os destinos dos homens. Esta reflexão está dividida em duas partes e possui o objetivo de analisar a fuga e a entrega de Jonas no meio do mar para que a tempestade cessasse, lembrando que antes deste evento Jonas atuou positivamente no Reino de Israel Setentrional (2 Reis 14:25), possivelmente era conterrâneo do profeta Eliseu.

    Elucida-se que no meio do Mar Grande, o navio que Jonas pagou a passagem e desceu dentro dele em direção a Tarsis (Espanha), estava a ponto de se despedaçar. Entretanto, os marinheiros, embora não tinham uma experiência com o Deus dos hebreus, também não eram incrédulos, eles tinham a capacidade de compreender que a situação que se encontravam no momento do temporal, estava acima do poder dos seus deuses, então se Jonas pudesse chamar o seu Deus, possivelmente poderia ajuda-los, não obstante, eles não sabiam que estavam diante de um homem reprovado pela falta de devoção a Deus. Analisando a compreensão dos marinheiros sobre a tempestade, pode-se perceber que estavam convictos de que existe algo que deu origem ao temporal, então queriam descobrir sua causa, se possível solucionar o problema para não perecerem.

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    Aqui, pede-se uma reflexão sobre a noção que os tripulantes tinham sobre o motivo daquele aumento súbito de vento fortes naquela viagem, lembrando que Jonas viveu no Século VII antes de Cristo. Então o que os levou a imaginar que tinham um culpado no meio do navio? Por que não imaginaram que aquela agitação atmosférica violenta poderia ser uma fúria natural do mar? Será que é por causa da sacralidade da natureza nos então dias? Pois, sabe-se perfeitamente que o cristianismo tem muita dificuldade de observar a reflexão dos descrentes diante de fatos sobrenaturais. Mas parece que aqueles marinheiros sabiam que em certos casos os homens não podem escapar do Deus irado e, como as escrituras ensina que um dia, todas as ações e intenções humanos serão revelados, com certeza Deus colocou o pressentimento nos próprios marinheiros para levantarem a indagação sobre aquele fenômeno atmosférico e, os usou para capturar Jonas, visto que ele deveria passar pelo julgamento, ainda que fosse no meio do mar. O Senhor é Deus que usou uma Mula, também usa os descrentes, o evento demonstra que qualquer crente que tenta negligenciar sua obrigação diante da ordem de Deus, está atraindo a tempestade para o “seu mar”.

    A tempestade adicionou até uma certa altura que os marítimos não tinham mais esperança de se salvarem, mas ninguém se sentia culpado perante aquela fúria. Quando o ser humano se passa por sentenças de condenação por fatos que não praticou, a única coisa que ele pode imaginar é que Deus ainda existe e pode trazer a solução, pois Deus ainda existe, não importa tamanho das tempestades pandêmicas (Covid -19). Neste texto não se pretende fazer uma conexão entre o pecado e a aflição, embora existe a possibilidade de dores serem resultados das culpas, mas as duas coisas nem sempre se associam, principalmente nesse evento que envolve Jonas, a única coisa que se observa é que a fuga de um homem não lhe pode esconder do criador, Jonas queria fugir de Deus, mas quanto mais tentava escapar, mais se encontrava na sua presença.

    Os tripulantes do navio em tela usaram adivinho para descobrir o culpado, infelizmente, mas também não eram hebreus, ou seja, eram povos como aqueles que Jonas não queria dar oportunidade de ouvirem a voz de Deus em Nínive para se arrependerem. Eram simples viajantes que viram a sorte cair em Jonas sem se precipitarem para jogá-lo no mar como a forma de aplicar a justiça. Eram homens de muitas lições para ensinar no meio do cristianismo da era contemporâneo. Quantos homens envolvidos no ministério que já perderam paciência diante dos senários que não lhes custaram vida? Pode-se aprender com as seguintes expressões “Então, lhe disseram: Declara-nos, agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu?” (JONAS 1:8).

    Depois de todo o questionário, Jonas apresenta sua nacionalidade e sua religião, então se condenou diante dos marinheiros, disse que temia o senhor como se segue: “Ele lhes respondeu: Sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra” (JONAS 1:9), o nome do Deus que Jonas disse que servia era conhecido entre os marinheiros, foi Ele que fez o céu a terra e o mar, é o Deus que se revelou ao povo escolhido e ainda convoca as pessoas para fazerem aliança com Ele, Ele mesmo auxilia na guarda da aliança, para o cumprimento de suas ordens. Por outro lado, após a confissão Jonas se coloca a desprezo e morte, é um momento que ele deixa claro que sua conduta reprova sua profissão. Era ação muito difícil, mas ele confessou e provou a franqueza do seu arrependimento e demonstra que de fato a graça de Deus estava em seu coração. “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus, que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e mantém para sempre a sua fidelidade” (SALMOS 146:5-6).

    Por tudo isso, é-se levado a acreditar que os homens ainda fogem da presença de Deus de várias maneiras: alguns porque acharam “elementos que caracterizam sua irracionalidade”, os outros se amparam na suficiência da ciência para “colocar o divino numa caixa”, os cientistas sociais chamam o momento da ocorrência desse fenômeno da era secular e dizem que o sagrado está desacralizado, o comportamento também é visto entre as pessoas que já frequentaram algumas igrejas, ainda são “crentes”, mas não pertencem nenhuma igreja “desigrejados”, todos os seres humanos são falhos somente eles estão certos. Mas a maior fuga que se observa da presença do Divino se encontra entre aqueles que ainda estão dentro de igreja, porém, têm o desejo forte de ver a destruição dos seus irmãos como Jonas esperava dos ninivitas. Qual é a sua fuga durante a pandemia?

    Raul Ié

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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