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    Diminuem as áreas verdes, aumentam as doenças

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    O título do texto de hoje advém de uma constatação feita por um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP – no âmbito do programa Fapesp de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (Biota-Fapesp).

    Com a colaboração do Centro de Controle de Zoonoses e do Departamento de Parques e Áreas Verdes da capital paulista, foram coletados 37.972 espécimes, dentre as quais aquelas conhecidas popularmente como pernilongos. Embora a coleta – feita em nove parques municipais monitorados pela pesquisa – indique uma rica diversidade de espécies na cidade, o estudo mostrou que existe um problema quanto à distribuição e composição dessas espécies nas áreas verdes do município.

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    Entre os resultados, está a constatação de uma tendência à redução de espécies de mosquitos. Com isso, mosquitos transmissores de doenças em humanos são beneficiados adaptativamente.

    Segundo os pesquisadores, existe uma relação entre o tamanho das áreas verdes e a diversidade das espécies. As áreas verdes menores tendem a possuir um subconjunto das espécies encontradas em áreas verdes maiores, havendo uma tendência para que a fauna de mosquitos nas áreas menores seja formada principalmente por vetores transmissores de doenças em humanos, tais como Aedes aegypti, causador da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

    Com a constante urbanização e, consequentemente, a redução progressiva das áreas verdes, as espécies mais silvestres vão desaparecendo, enquanto que as que são adaptadas ao meio urbano e mais propensas a transmitirem doenças, dominam o território.

    Levantamento feito pelo Ministério da Saúde apontou que 994 municípios brasileiros apresentam alto índice de infestação pelo mosquito Aedes aegypti e podem registrar surtos de dengue, zika e chikungunya.

    O primeiro Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) de 2019 revela que a incidência de casos de dengue no país entre janeiro e março subiu 339,9% em relação ao mesmo período de 2018.

    Nas últimas duas décadas, as doenças emergentes tiveram custos diretos de mais de 100 bilhões de dólares, podendo saltar para vários trilhões de dólares caso os surtos tivessem se tornado pandemias humanas, como é o caso que estamos enfrentando com o COVID-19.

    Para impedir o surgimento de tal cenário, é fundamental reconhecer e tratar as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, entre elas, a redução e fragmentação de habitats, o comércio ilegal, a poluição, a proliferação de espécies invasoras e, cada vez mais, as mudanças climáticas.

     

    Fontes.

    Sítio eletrônico da ONU Brasil.

    Revista Exame, de 18 de jan. 2019 , via Agência Fapesp.

     

    *Os artigos e opiniões publicados são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo necessariamente a opinião dos editores.

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